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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

E minha alma grita Valeu ZUMBI!


...Toda consciência é intencional...que todo negro, que todo descendente de negro, que todos que se revoltam contra qualquer atitude, pensamento, manifestação racista, mostre toda a sua intencionalidade, toda a sua consciência e saiamos pelo mundo saudando àqueles que deram a sua vida pela libertação de todos aqueles que foram escravizados e que ainda hoje sofrem de um preconceito irracional e descabido.
Para quem não tem a pele com pigmentação advinda da melanina que cobre nossos corpos, é comodo negar a existência de preconceitos, mas só quem a tem, pode dizer o que viveu e o que deixou de viver no mundo dito moderno e liberal, mas que ainda é habitado por pessoas com padrões ou conceitos preconceitos e racistas.
Desejo que no dia de hoje, da consciência negra, todos, não importe a cor de suas peles, não importa a sua dita etnia, feche os olhos e sinta, veja, acredite e faça deste mundo, um lugar onde nunca mais a cor de uma pele, o lugar onde alguém tenha nascido, os bens que possui, ou sua crença, entre outros preceitos preconceituosos, influenciem e sejam mais importantes que aquilo que a pessoa realmente é...que a verdadeira manifestação de sua alma, de seu coração.
Que algum dia, o brilho de um sorriso seja o bem mais valioso para todos.
Valeu pela luta ZUMBI, valeu pela luta todos aqueles que deram sua vida pelo fim de preconceitos!
...
Segue um textinho em homenagem à este grande herói negro!
...
...os pés afundavam nas folhas caidas era díficil encontrar um chão firme...as algemas pesavam nos tornozelos, cortando minhas carnes...galhos baixos, pedras, musgos...não conseguia ver nada, apenas um pensamento me guiava...fugir...correr...correr...e correr...
Apenas a luz da lua minimizava a cegueira que o breu da noite me impunha...o som de cães latindo e de homens praguejando já tinha sumido e se misturado aos sons da noite...mas ainda assim uma voz que vinha do meu peito dizia mais alto...não pare...
O tumtumtum do meu coração...somado ao medo de ser pego e castigado me impulsionavam à frente...mesmo que o peito ofegante e a dor nas carnes pedisse para que parasse...e minha mente me trazia a lembrança de momentos de minha existência que eu sempre lutei para entender e mudar...
Não entendia o pq tinha que servir à pessoas que maltratavam aos meus iguais...não entendia o pq a minha cor impedia me de ser aceito, de ser ouvido, de sonhar até quiçá de realizar...achava que havia algo de diferente no senhorio, mas um dia vi a sinhazinha cair do cavalinho e ao machucar vi que ela sangrava...e seu sangue era vermelho...ainda lembro dela caida perto de mim...eu passei a mão no seu sangue e meu sentimento dizia...somos iguais ela é igual a mim...eu sorria, mas logo uma bofetada do capataz me colocou desmaiado...tinha apenas 4 anos e descobrira da pior maneira que o sangue de uma branca não é motivo de alegria para um negrinho...
Desperto, mais uma manhã, pouco o que comer...muito o que fazer...o senhorio exigia que seu cavalo estivesse bem alimentado, escovado e celado para sua cavalgada matinal...ainda lembro do que acontecera com Kwembo, tinha sido espancado até a morte por ter ousado comer antes de alimentar o animal...restos...comemos restos de um cavalo...
Mas hoje seria a última vez...
...
Retorno ao presente...cães...não...não é possível...como...como me acharam...não consigo mais correr...mas não posso parar...tropeço...me ergo...santa...santa...um dos cães me alcança...se não for rápido os outros surgirão...e os caçadores...ajo rápido...apesar das patas me arranharem o peito...minhas mãos decretam que o último som daquele animal é um ganido abafado e dolorido...
jogo o que a carcaça daquele pobre animal...caçador de carne negra e me afasto...tenho que prosseguir...
...
O medo infla minha alma...a Lua está linda...mas não terei chance de admirá-la se não encontrar abrigo...mas não voltarei...hoje sou livre...morrerei lutando pela minha liberdade...
...
as lembranças voltam...
...
ainda lembro dela... Amiana, com sua pele macia...sua voz maviosa que cantava todas as manhãs músicas de nosso povo vindo da África...era linda...eu a amava...mas o Senhorio, maldito, desejava todas as negras que eram como seu gado e apesar de espancá-las durante o dia...as noites saciava a sua devassidão obrigando-as a deitarem em sua cama...mas ai daquela que acordasse lá...coitada...
...
A vergonha foi tão grande que Amiana se matou enforcada com o próprio vestido...
...
Um som de um disparo...o cheiro de queimado e uma ardência no ombro me despertara para a triste realidade me alcançaram...estaria morto se não um milagre não ocorresse...mas como...como fugiria agora...
Me encostro ao pé de um jequitibá gigante, agarro um galho seco e aguardo para o combate...que pelo menos tenha a chance de um corpo a corpo...
Morreria...mas lutando...o ferimento sangra...manchando minhas poucas vestes e o lenço que ela tinha amarrado no meu braço para que lembrasse dela...
A minha maior alegria e a minha maior desgraça...mais uma vez a lembrança vem a mente...
...
Aquele olhar não era igual aos outros...em principio achara que era de deboche...mas percebi...era desejo...um olhar desejoso e temeroso... e aquele olhar me atraiu...logo não era apenas mais um olhar, mas mãos, cabelos, pele e suor se misturando aos meus...
mas era alva...como poderia se misturar comigo...e antes que conseguisse elaborar o que tinha acontecido...logo repetimos aquilo tantas outras vezes...sempre escondidos...sempre de forma oculta...mas no meu peito algo não se ocultava mais...um sentimento crescia...por uma branca...
...um sentimento proibido...um amor impossível...
...
O grito eufórico dos caçadores ao me cercarem e virem com seus facões talvez fosse o decreto de que o último suspiro deste ser tinha chegado finalmente...
...
Mas outros gritos se sucederam, abafando e mudando aquela aparente realidade...só ouvi o desespero dos caçadores numa única voz...ZUMBIIIII....ZUMBIIII...ZUMBI...e um a um foram tombando...
...
Surge um negro forte, e outro, e mais outro logo vários estavam ao meu redor...quando a roda se abre, surge um em vestes brancas...não como um principe, não como um santo, mas como um líder iluminado...ainda lembro seu sorriso e sua mão estendida a me erguer...
...
ZUMBI...eu tinha encontrado ZUMBI...o Rei Negro dos Palmares!
...
E a partir daquele instante eu sabia...a luta pela realização dos meus sonhos e amores estava apenas começando.

2 comentários:

  1. Hoje deveria ser o dia de todas as cores... da importância que cada um, não importa a cor, o credo, as origens, tenha a contribuir com a coletividade! Para mim, o próprio feriado é preconceituoso! Salve todas as raças!

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  2. Adorei!
    Adorei seu blog... vou te linkar no meu
    besitos

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